Tecnologia Agrícola
Vazio sanitário pode evitar prejuízo de mais de R$ 6 bi

Imagem: SXC
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 Desde o último dia 1º de julho, sojicultores de Minas Gerais e outros dez Estados brasileiros, além do Distrito Federal, estão proibidos de semear ou manter a plantação de soja em suas propriedades. A medida, conhecida como vazio sanitário, se estenderá até o dia 30 de setembro e tem como objetivo prevenir e controlar o fungo Phakopsora pachyrhizi, praga da ferrugem asiática, doença que destrói a planta infectada.

O fungo é biotrófico, ou seja, precisa de um hospedeiro vivo para se reproduzir. Assim, durante a entressafra, seu ciclo de desenvolvimento é quebrado, o que impede o avanço de seus esporos e a incidência da praga, conforme explica a pesquisadora da Embrapa Soja Claudine Seixas. “Com os grãos germinando, aumenta a incidência de sementes infectadas. Ao quebrarmos seu ciclo patógeno, reduzimos os esporos que podem se alastrar e, assim, evitamos a ferrugem”, aponta.

Segundo a especialista da Embrapa, a praga pode trazer perdas de quase US$ 2 bilhões (R$ 6,6 milhões, na cotação atual), incluindo custos com seu controle, que precisa ser feito com fungicidas.

Minas. Adotado há 11 anos em Minas Gerais, o vazio sanitário vem diminuindo o avanço do fungo e permitiu um uso menor de produtos químicos para controle da praga, conforme explica Airton Bezerra, engenheiro agrônomo e fiscal do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA). “Nesses 11 anos, tenho observado que se usa muito menos fungicida no Estado, o que diminui o gasto do produtor e aumenta a qualidade do grão”, afirma.

Bezerra aposta que medidas como esta terão resultados significativos na próxima safra. “Tivemos pouca incidência da praga este ano no Estado. A expectativa é que, com essas medidas, ultrapassaremos em 2018 a safra deste ano, que chegou a quase 5 milhões de toneladas colhidas e 1,42 milhão hectares plantados”, completa.

Sojicultor visa próxima colheita
Ainda que impossibilite o plantio e cultivo de soja por 90 dias, o vazio sanitário não é visto como um entrave pelos produtores. Segundo Dário Grampo, de Unaí, cidade que detém 35% da produção em Minas, a entressafra traz a possibilidade de se preparar para a próxima colheita.

“Nesse período, a gente aplica calcária, gesso e aproveita para fazer trabalho de calagem. Assim, montamos um esquema para exterminar a soja inativa e não sermos pegos de surpresa na próxima safra”, explica.


Fonte: O Tempo, escrita por Wallace Graciano


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