Tecnologia Agrícola
Estados da região Sul estabelecem procedimentos para o controle sanitário de maçãs

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Os secretários da Agricultura dos estados do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina, em resolução conjunta, instituíram, na terça-feira (13), o Comitê Interestadual de Sanidade de Pomáceas (Cisp). A ideia é subsidiar tecnicamente as secretarias de estado da Agricultura e os órgãos de defesa agropecuária para o estabelecimento de procedimentos e atos complementares relativos à segurança sanitária de pomáceas, visando à proteção das espécies envolvidas.
 
Segundo o documento, a pomicultura é uma das cadeias de produção agrícola mais importantes para os referidos estados.  A praga Neonectria galligena está classificada como quarentenária para o Brasil. Cita ainda que a manutenção da erradicação da Cydia pomonella é de extrema importância para a sustentabilidade da produção.  E que, portanto, há necessidade da atuação conjunta dos três estados na vigilância sobre pragas e doenças quarentenárias que acometem as pomáceas.
 
Segundo o secretário da Agricultura, Pecuária e Irrigação do Rio Grande do Sul, Ernani Polo, a demanda veio do setor, da Associação dos Produtores de Maçã do Estado e da Associação Brasileira de Produtores de Maçã. “Isso fortalece cada vez mais essa integração do setor público com o privado e é uma forma de nós discutirmos conjuntamente os estados que produzem maçã no Brasil. Essa é uma iniciativa importante para mantermos e avançarmos quanto ao status sanitário”, explicou.
 
De acordo com Polo, o Brasil é o único país livre de Cydia pomonella na maçã do mundo. “É o único inseto-praga do país que está erradicado, e isso foi um trabalho de muito tempo dos produtores, da Embrapa, das instituições de pesquisa. E, agora, esse comitê nos dá também a possibilidade de conjuntamente avançarmos para mantermos o status sanitário e discutirmos os problemas que ainda existem e que devem ser superados”.
 
O secretário da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, Norberto Ortigara, disse que na região Sul é onde se concentra a produção de maçãs no Brasil. “É uma atividade muito importante para os três estados. E toda a ameaça que se apresente em desfavor da produção, seja de qualidade na produtividade, seja em restrições comerciais, deve ser enfrentada com estratégias adequadas, como a de unir forças”, salientou.
 
Para Ortigara, é muito importante essa iniciativa de não olhar barreiras físicas, como as divisas estaduais, e sim de olhar a sanidade num contexto mais amplo e somar esforços, estabelecendo estratégias adequadas para a superação dessa dificuldade. “Nós queremos contribuir para que o agricultor, o fruticultor, tenha o máximo de eficiência no seu processo de produção”.
 
Para o diretor executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Maçã, Moisés de Albuquerque, o comitê tem uma importância maiúscula, porque tratará das principais ameaças que o setor sofre, que são as ameaças fitossanitárias. “O Brasil é um país exportador de frutas de clima tropical e importador de frutas de clima temperado. Essa importação já trouxe várias ameaças que estão aí. Uma é a Cydia pomonella, que a gente conseguiu erradicar. Outra é o Cancro europeu, que é uma doença, não é um inseto-praga, que se alastrou, extremamente complexo de erradicar”.
 
Ele contou que no Rio Grande do Sul o produtor está tendo uma média de custo com essa praga ao redor de R$ 2 mil por hectare. “Isso não é pouco. Então, quando a gente une três estados onde a fruticultura de clima temperado é importante, para tratar de questões fitossanitárias, é extremamente gratificante. Tanto pelo caráter técnico, de qualificação e padronização das discussões, quanto também pelo caráter político, de ganhar prioridade em ações de governo. Esse é um dia histórico”, comemorou.
 
O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Neri Geller, afirmou que essa integração entre os três estados do Sul, que são os maiores exportadores de valor agregado, faz parte de uma linha de atuação do Mapa, de fortalecer o Brasil em termos de qualidade e de confiança no mercado internacional. “Esse convênio interestadual vai fortalecer na prática o sistema de fiscalização e de sanidade da produção nacional.”


Fonte: Notícias Agrícolas


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