Tecnologia Agrícola
Aplicativo ajuda agricultores a identificar pragas na lavoura

Imagem: Ed Alves/CB/D.A Press
Imagem: Ed Alves/CB/D.A Press

A ferramenta funciona de maneira simples. Por meio de um smartphone, o produtor tem acesso ao banco de dados, com uma galeria de fotos e pequenos textos mostrando as características dos insetos e de que se alimentam, além de informações sobre cada grupo de inimigos naturais e suas funções na natureza. Há dados de 13 famílias de insetos predadores, além de parasitoides e aranhas.

Com o aplicativo, o agricultor também pode, usando a câmera do aparelho, fotografar insetos encontrados na plantação e comparar com as imagens da galeria. “Os agricultores não se dão conta de que boa parte dos insetos presentes na lavoura não causam danos. Na verdade, eles auxiliam no combate às pragas”, frisa Alessandra de Carvalho Silva, engenheira agrônoma da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), especialista em controle biológico de pragas.

Equilíbrio
“O aplicativo é muito interessante, mostra bem os insetos e traz informações importantes sobre cada um deles. O único problema é que ainda não existe a versão para iPhone”, diz Thiago Kaiser, da chácara Pé na Terra, localizada no Núcleo Rural Pipiripau, em Planaltina. Na propriedade, são cultivados cerca de 15 produtos, entre hortaliças e frutas, comercializados diretamente para 30 famílias que fazem parte da Comunidade que Sustenta a Agricultura (CSA). Por meio desse sistema, a comunidade apoia os produtores locais, compartilhando custos e prejuízos.

Na agricultura, o reconhecimento dos insetos é fundamental. Insetos que se alimentam de plantas, os fitófagos, somente são considerados pragas quando causam danos econômicos. O produtor tem que estar apto a distinguir aqueles que são benéficos à lavoura, mantendo o equilíbrio do ecossistema. O inseto conhecido por tesourinha, por exemplo, costuma assustar até agricultores mais experientes, por ter aparência semelhante à de um pequeno escorpião.

A existência do tesourinha na lavoura, no entanto, indica a presença de lagartas, que são pragas que se alimentam de folha e podem perfurar talos, flores e frutos, causando danos à plantação. O tesourinha é um agente de controle natural, sendo um predador de lagartas, moscas-brancas, ovos e pulgões. “As pinças que o inseto possui no final do abdômen lhe dão uma aparência agressiva. Ele pode ser morto se a pessoa não souber o quanto ele pode contribuir para a redução de lagartas nas lavouras, uma vez que se alimenta dos ovos das mariposas”, explica Alessandra, da Embrapa.

Os marimbondos são uma tristeza na cidade, principalmente para quem tem sensibilidade à picada, que costuma doer muito. No campo, esses insetos são uma benção. Afinal, alimentam-se de lagartas, gafanhotos, mosquitos, formigas e cupins, ou seja, pragas que são combatidas na lavoura. Os marimbondos são fundamentais no combate ao bicho mineiro (leucoptera coffeella), uma praga que ataca somente lavouras de café. O Brasil é o principal produtor mundial, sendo responsável por 34% do café comercializado no mundo.

O bicho mineiro se instala nas folhas dos cafeeiros, deixando um buraco e uma cor de ferrugem na superfície. Um ataque desse inseto causa uma considerável perda de folhas, que ficam desidratadas, secas e fracas, trazendo enormes prejuízos para os cafeicultores. Estudos comprovaram que a capacidade produtiva do cafeeiro pode ser reduzida em até 80%, conforme a região, a época e a intensidade da ação do inseto. “Essa é uma praga importante nos cafezais, contra a qual os marimbondos desempenham um papel fundamental no controle natural”, explica a pesquisadora da Embrapa.

Desafio
- O controle biológico de pragas é considerado mais eficiente e econômico do que o controle químico, com defensivos agrícolas, que não têm ação seletiva e podem causar desequilíbrio ambiental, já que resíduos podem permanecer em plantas, solo, lagos e rios. O pesquisador José Roberto Parra, do Departamento de Entomologia e Acarologia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), acredita que é grande o desafio para que o controle biológico seja adotado em larga escala no Brasil. “A cultura do agricultor brasileiro é voltada para os químicos. É difícil mudar a cabeça do produtor, mas é um aprendizado.”


Fonte: Correio Braziliense, escrita por Marlene Gomes


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